Resposta curta
O verdadeiro ganho do engate rápido não são os minutos economizados, e sim as trocas de implemento que começam a acontecer de fato. Como tirar os pinos leva meia hora, o operador quase sempre segue com o implemento que está montado e trabalha com a ferramenta errada. Quando o engate remove essa barreira, o implemento certo passa a ser usado de verdade; é aí que nasce o ganho. Do outro lado, há três custos: o peso do próprio engate se soma à carga na ponta do braço, a distância acrescentada entre o implemento e a máquina reduz a capacidade de levantamento, e o mecanismo de trava exige manutenção regular.
A suposição que monta a conta errada
A conta comum é esta: uma troca de implemento leva trinta minutos, fazemos duas por dia, o engate reduz cada uma para cinco minutos, então ganhamos cinquenta minutos por dia.
Não é isso que acontece no canteiro. Como a troca é trabalhosa, o operador não troca duas vezes por dia; troca uma vez, ou não troca. Quebra a rocha com o rompedor, depois empurra o material com o mesmo rompedor e, quando precisa da caçamba, espera o fim do dia.
Ou seja, o ganho do engate não está nos minutos economizados, e sim no fato de o trabalho passar a ser feito com a ferramenta certa. O custo de trabalhar com a ferramenta errada aparece na vida útil do implemento e no rendimento do trabalho, e é muito maior do que cinquenta minutos.
Os custos ocultos
- O peso do próprio engate se soma à carga na ponta do braço. Se esse peso for esquecido no cálculo, a máquina sai, na prática, da sua faixa de peso.
- O implemento se afasta da máquina. Essa distância extra aumenta o momento de carga; o mesmo implemento fica mais pesado para a máquina do que quando era montado sem engate.
- O mecanismo de trava exige manutenção, e essa manutenção é o item mais esquecido. Ele deve entrar como uma linha separada no calendário de lubrificação.
- O engate hidráulico acrescenta um circuito, ou seja, mais um ponto de vazamento.
- Os suportes dos implementos precisam ser adaptados ao engate; o custo de adaptação dos implementos existentes deve entrar na conta.
A segurança não se discute
No engate rápido, o único risco real é começar a trabalhar sem que o implemento esteja totalmente travado. Se o implemento cai, as consequências são graves.
Por isso, depois de cada troca de implemento, confirma-se visual e fisicamente que a trava está assentada: o implemento é pressionado levemente contra o chão e puxado de volta para testar se a trava segura. Esse controle de dez segundos nunca é pulado.
O desgaste do mecanismo de trava dificulta o travamento com o tempo. Quanto mais velho o engate, mais importante fica esse controle.
Com o engate rápido, a lista de lubrificação muda
O próprio engate é uma peça que precisa ser lubrificada, e o mecanismo de trava é um dos pontos mais esquecidos no canteiro. Abra uma linha separada, "trava do engate", na lista do turno; se ficar escondida na linha da máquina ou do implemento, ela é pulada.
Quando ele realmente compensa?
- Em trabalhos variados que exigem mais de uma troca de implemento por dia: demolição, infraestrutura, serviços diversos dentro do canteiro.
- Quando o número de implementos passa de três: rompedor, caçamba, escarificador e garra usados em conjunto.
- Em canteiros onde descer da máquina é difícil ou perigoso para o operador.
- Em frotas de locação: quando a máquina vai para trabalhos diferentes, a troca de implemento é rotina.
- Ao contrário, em uma máquina com um único trabalho (que só opera rompedor na pedreira, por exemplo), o engate não passa de um peso extra e de mais um item de manutenção.
