Resposta curta
O escarificador e o perfurador de solo trabalham com um tipo de carga diferente do rompedor e dos implementos de mandíbula: os dois entram no material e, uma vez lá dentro, são os implementos mais sensíveis à mudança de direção. No escarificador, o erro mais caro é deslocar a máquina para o lado depois de cravar o dente; no perfurador de solo, é tentar soltar o perfurador travado com movimentos da lança. Os dois são formas diferentes do mesmo erro: aplicar a um implemento que está dentro do material uma força em direção diferente daquela pela qual ele entrou. A consequência aparece, no escarificador, como trinca na união entre o corpo e o suporte e, no perfurador de solo, como dano no redutor e no eixo.
Deslocamento lateral no escarificador
O dente do escarificador é cravado no solo e a máquina recua, rasgando o material. Esse é o uso correto; a força avança no eixo pelo qual o dente entrou. O deslocamento lateral, ao contrário, é mover a máquina para a direita ou para a esquerda com o dente ainda no solo.
Esse movimento tenta dobrar o corpo no ponto onde o suporte é fixado. O corpo do escarificador foi feito para tração axial, não para torção nem flexão lateral. A maior parte das trincas vistas na obra começa exatamente nessa união.
O que torna o deslocamento lateral tentador é que às vezes ele funciona: o bloco de rocha de fato se mexe. Mas o mesmo trabalho pode ser feito tirando o dente e cravando-o em um novo ponto, sem carregar o corpo.
Outros quatro erros no escarificador
- Cravar fundo demais: enfiar todo o comprimento do dente no solo. A força necessária para retirá-lo aumenta e o corpo recebe carga de levantamento em vez de tração.
- Usar o dente como alavanca: depois de cravá-lo, levantar com a lança para tombar o bloco. O escarificador não é uma alavanca; a carga é suportada no eixo, não na ponta do dente.
- Trabalhar com o dente além do limite de desgaste: um dente encurtado não penetra o suficiente no solo, e a força é aplicada em um ponto mais próximo do corpo. Isso aumenta o momento sobre o corpo.
- Tentar fazer com o escarificador o trabalho do rompedor: em rocha maciça, o escarificador não rasga, só força. Tratamos em um guia separado onde fica esse limite.
Perfurador de solo travado: como soltar
O perfurador de solo hidráulico é um implemento rotativo, e é normal que ele trave: uma raiz, uma pedra ou uma argila pegajosa podem bloquear a hélice. O erro não está no travamento, e sim na forma de soltar.
O erro mais comum é tentar soltar o perfurador travado puxando-o para cima com a lança. Puxar para cima com o perfurador preso no solo aplica tração axial ao eixo e carga inversa ao redutor. O segundo erro é tentar girá-lo à força no sentido inverso enquanto está travado.
A forma certa de soltar é usar o próprio movimento do perfurador: girá-lo devagar no sentido inverso para afrouxar o material e depois retirá-lo no sentido normal e em rotação baixa. Se isso não funcionar, abrir o terreno em volta do furo é mais rápido do que forçar o implemento.
Não aplique força lateral com o perfurador girando
Corrigir a direção com a lança depois que o perfurador entrou no furo força o eixo lateralmente, fora do alinhamento. O ângulo do furo é ajustado antes de o perfurador entrar; depois de entrar, não se faz ajuste. Um furo que começou torto não se corrige; começa-se de novo.
O que fazer e o que não fazer
O que fazer
- No escarificador, aplique a força no eixo pelo qual o dente entrou; se for mudar de direção, retire o dente antes.
- Troque o dente antes do limite de desgaste; um dente curto impõe um momento maior ao corpo.
- No perfurador de solo, ajuste o ângulo do furo antes de entrar.
- Solte o perfurador travado girando-o primeiro devagar no sentido inverso.
- Em solo pegajoso, retire e limpe o perfurador em intervalos; uma hélice cheia deixa o trabalho mais lento e favorece o travamento.
O que não fazer
- Não desloque a máquina para o lado com o dente do escarificador no solo.
- Não use o escarificador como alavanca para tombar blocos.
- Não tente soltar o perfurador travado puxando-o para cima com a lança.
- Não aplique força lateral com a lança enquanto o perfurador gira.
- Não insista com o escarificador em rocha maciça; se não há avanço, troque de implemento.
O que as marcas de desgaste dizem?
No dente do escarificador, o desgaste simétrico é sinal de uso correto. Um lado claramente mais gasto do que o outro diz que a força veio sempre do mesmo lado, ou seja, houve deslocamento lateral ou entrada inclinada.
As trincas na pintura do corpo merecem atenção especial na união com o suporte. Nessa região, a pintura trincada é o primeiro sinal de que há tensão acumulada no metal por baixo, e aparece antes da trinca na solda.
No perfurador de solo, os pontos a observar são a borda da hélice e a cabeça de corte. O desgaste uniforme da borda da hélice é normal; uma deformação ou um afinamento de um lado só mostram que foi aplicada uma força desalinhada. Já o vazamento no redutor é a marca de carga inversa e deve ser examinado antes de continuar o trabalho.
