Resposta curta
A ponteira do rompedor é a barra de aço que leva ao material o golpe produzido pelo pistão; é a única peça principal consumível do rompedor, e metade da produtividade depende dela. Ela tem três partes, e cada uma faz um trabalho diferente: a haste, a parte superior em que o pistão bate e que as buchas seguram; o rasgo do pino de retenção, o rebaixo onde o pino assenta; e a ponta de trabalho, a parte que entra no material. O desgaste avança de forma diferente nas três, e o modo como cada parte chegou ao fim mostra diretamente como o rompedor foi usado. Este texto explica o que é a ponteira; qual tipo usar em cada situação está em outro artigo.
Três partes, três funções
O fato de as três partes fazerem trabalhos diferentes também explica por que a ponteira é fabricada numa só peça e com um tratamento térmico específico: uma dureza única não seria adequada para as três; por isso, a geometria e o tratamento térmico da ponteira são projetados juntos.
- Haste: a face superior em que o pistão bate e o corpo cilíndrico que as buchas seguram. Recebe o golpe e o transmite para baixo. O que se espera ver aqui é uma superfície de desgaste regular e simétrica.
- Rasgo do pino de retenção: o rebaixo onde o pino de retenção assenta. Sua função é manter a ponteira dentro do corpo, e não transmitir o golpe. Amassamento nesse rasgo indica que a retenção começou a suportar carga, e isso é um problema de uso.
- Ponta de trabalho: a parte que entra no material. É ela que define o tipo de ponteira: cônica, talhadeira, cega ou piramidal.
Por que a escolha do aço e o tratamento térmico importam?
A ponteira precisa reunir ao mesmo tempo duas propriedades opostas. Para que a ponta de trabalho resista ao desgaste, ela precisa ser dura; mas um aço muito duro é frágil e trinca sob impacto.
Por isso, as ponteiras recebem tratamento térmico para ficar mais duras na superfície e mais tenazes no núcleo. No canteiro, isso se traduz assim: uma ponteira correta encurta por desgaste, enquanto uma ponteira errada ou mal tratada termina quebrando.
Por isso, olhar a superfície de fratura de uma ponteira que chegou ao fim é um diagnóstico valioso. Uma ponteira gasta de forma regular indica uso correto e escolha correta; uma ponteira quebrada indica tipo errado ou uso errado.
Soldar ou endurecer de novo a ponteira não é correto
Recompor uma ponteira gasta com solda, ou tentar endurecê-la no canteiro aquecendo e resfriando, é uma tentativa comum e quase sempre causa danos. O tratamento térmico ao redor da região soldada se perde, essa região fica frágil e a ponteira quebra exatamente ali. A ponteira é uma peça consumível: não se repara, se troca. A única exceção é o esmerilhamento controlado da extremidade (cabeça ou ponta) com deformação em cogumelo.
Como ela se desgasta?
- Encurtamento da ponta de trabalho: desgaste normal e esperado. A ponteira é trocada quando o comprimento fica abaixo de um certo limite; o limite varia conforme o modelo e está no manual.
- Deformação em cogumelo: o metal se amassa e se espalha para as bordas, o que pode acontecer nas duas extremidades. Na ponta de trabalho, a causa é golpear por muito tempo no mesmo ponto e superaquecer a ponteira; na face superior da haste, onde o pistão bate, a causa principal é o golpe em vazio. Se for detectada cedo, pode ser contida com esmerilhamento.
- Marca polida de um lado só na haste: mostra trabalho sob carga lateral e que as buchas não estão se desgastando por igual.
- Amassamento no rasgo do pino de retenção: mostra que o pino começou a suportar carga; normalmente está ligado a usar a ponteira como alavanca ou para levantar peso.
- Quebra: tipo de ponteira inadequado ao impacto, carga lateral ou acúmulo de golpes em vazio.
Diâmetro da ponteira e combinação com o rompedor
Cada rompedor tem um diâmetro de ponteira, e esse diâmetro é projetado junto com o diâmetro interno da bucha. A folga entre elas é necessária tanto para a lubrificação quanto para o alinhamento; se a folga for pequena, a ponteira trava; se for grande, a ponteira não se mantém no eixo.
Por isso, uma ponteira de diâmetro diferente não é usada, mesmo que a medida pareça próxima. Da mesma forma, ao trocar as buchas, mantém-se o mesmo diâmetro.
Por que o diâmetro da ponteira é uma questão de tolerância tão estreita está explicado num artigo à parte.
Qual tipo usar onde?
Há quatro tipos básicos, e a escolha segue o comportamento do material. A ponteira cônica concentra a carga num ponto estreito e penetra. A ponteira talhadeira posiciona o gume de acordo com a direção da trinca. A ponteira cega distribui a carga numa superfície larga e quebra por esmagamento. A ponteira piramidal equilibra penetração e resistência.
Além delas, há variantes: ponteiras para rocha dura, indicadas para material abrasivo, e ponteiras com canais para saída de pó, cujos canais na superfície externa levam a poeira para fora do furo.
Qual tipo vence em cada material está no guia de escolha de ponteiras e na página de ponteiras; o assunto deste texto foi a ponteira em si.
