Resposta curta
No reforço de bueiros e túneis, o trabalho segue uma lógica diferente da escavação nova: aqui, o que fica importa tanto quanto o que sai. Ao ampliar uma seção existente ou retirar um trecho deteriorado, a estrutura que fica atrás não pode ser danificada, porque ela vai continuar sendo estrutural quando o trabalho terminar. Isso coloca os implementos de impacto em segundo plano desde o início. A segunda restrição é o espaço: as seções de bueiros e túneis são estreitas, o acesso da máquina é limitado e, muitas vezes, a ponteira do implemento não consegue ser apoiada perpendicular à superfície. Quando essas duas restrições se somam, a lista de opções encolhe sozinha.
Por que o rompedor fica em desvantagem aqui?
O rompedor transmite a energia por impacto, e esse impacto se propaga além da zona quebrada. Na escavação nova, isso não é problema; no reforço, pode deixar microfissuras dentro da estrutura que permanece.
O segundo problema é o controle. O rompedor não entrega uma seção; ele arranca massa, e o ponto em que o pedaço arrancado termina depende dos planos de fratura do material. Se o limite da seção a ser ampliada estiver definido, essa incerteza é um risco direto.
O terceiro é a geometria: na seção estreita de um bueiro, muitas vezes é impossível apoiar a ponteira do rompedor perpendicular à superfície. Uma ponteira apoiada inclinada rende pouco e ainda gera carga lateral.
O implemento deste trabalho
- Fresa de tambor: avança cortando, consegue seguir o limite da seção e não transmite impacto à estrutura que fica atrás. É o implemento padrão para este trabalho.
- Fresa de tambor axial: tem melhor alcance em seções estreitas e profundas, no teto e nas paredes laterais. Na seção de um bueiro, muitas vezes vem antes da fresa de tambor transversal.
- Rompedor de pequeno porte: somente se o trecho a ser retirado já estiver livre e separado da estrutura que permanece; não para trabalhar no limite.
- Tesoura para concreto: para retirar sem impacto o concreto armado de dentro do limite depois que ele foi cortado; esmaga o concreto e corta a armadura. Não corta o limite em si.
- Garra: para retirar os pedaços cortados e transportá-los para fora da seção estreita.
Corte primeiro o limite, depois retire o interior
É a mesma lógica do remendo de pavimento: se o limite da área a ser retirada for cortado primeiro, a escavação feita no interior não consegue avançar para a estrutura que permanece. Em uma escavação iniciada sem o corte do limite, uma trinca pode ultrapassar o limite da seção e entrar na zona estrutural, e isso não tem volta. Cortar o limite leva algumas horas; uma laje de bueiro trincada é outro projeto.
Máquina e alcance em seção estreita
Nas seções de bueiros e túneis, o que decide não é a potência da máquina, e sim o seu alcance. Onde o ângulo da lança não é suficiente, uma máquina grande não serve para nada; uma máquina pequena rende mais, porque consegue apoiar o implemento no ângulo certo.
O segundo problema de alcance é o comprimento do implemento. Um implemento longo não consegue girar nem se posicionar em uma seção estreita. Por isso, nos trabalhos em bueiros, o implemento é escolhido pelas dimensões (gabarito) tanto quanto pela potência.
O terceiro é o sentido de trabalho: trabalhar no teto e nas paredes laterais é diferente de trabalhar no piso. A lubrificação ganha importância especial nesse caso, porque a graxa escorre para baixo por gravidade e fica mais fina na parte de cima.
O que fazer e o que não fazer
O que fazer
- Corte o limite da área a ser retirada antes de começar a escavação.
- No limite da seção, use um implemento de corte, não um implemento de impacto.
- Escolha a máquina pelo alcance e pelas dimensões, não pela potência.
- Aumente a frequência de lubrificação quando trabalhar no teto e nas paredes laterais.
- Retire os pedaços cortados sem deixá-los acumular; em seção estreita, o entulho atrapalha o acesso e a visão.
O que não fazer
- Não use rompedor no limite da estrutura que permanece.
- Não continue com a ponteira apoiada inclinada com o argumento de que "assim também vai"; em seção estreita, esse é o erro mais comum.
- Não estime o limite da seção a olho durante a escavação; marque-o antes.
- Não force com uma máquina grande em seção estreita; trabalhar em um ângulo fora do alcance é carga lateral.
- Não descuide da poeira e da ventilação; em seção fechada, a poeira prejudica a visão e o ar respirado.
Poeira e ventilação em seção fechada
A poeira que se dispersa a céu aberto fica em suspensão na seção de um bueiro ou de um túnel. Isso tem duas consequências: a visão do operador fica prejudicada e o ar respirado piora.
Para controlar a poeira, a aspersão de água é comum e eficaz, mas o ambiente úmido muda o regime de manutenção do implemento: a graxa é lavada e a frequência de lubrificação aumenta.
Os implementos de corte também levam vantagem nesse ponto: produzem bem menos poeira do que o rompedor, porque cortam o material em vez de fragmentá-lo. Em seção estreita, essa diferença pode pesar mais, em segurança e conforto, do que a diferença de velocidade.
