Resposta curta
Os métodos não destrutivos (MND, trenchless) permitem passar tubulações e cabos sem abrir a superfície. Na cidade, o ganho real não está no custo da escavação, e sim no fim dos custos secundários da vala a céu aberto: interdição do trânsito, remoção e refazimento do pavimento, reclamações de comerciantes e moradores, área de segurança do trabalho e prazo. O limite do método são as condições do terreno; em solo com blocos grandes e rocha, o avanço fica difícil, e o trabalho iniciado sem estudo prévio encontra surpresas.
Os custos invisíveis da vala a céu aberto
Na cidade, o custo de instalar uma rede não se resume ao preço por metro linear da vala escavada. A licença para interditar a via, o desvio do trânsito, a remoção e o refazimento do pavimento (asfalto, bloquete, calçada) e o prejuízo dos estabelecimentos em volta durante esse período formam a maior parte do custo total.
A isso se soma a pressão do prazo: as restrições de horário de trabalho das prefeituras, a proibição de trabalhar no fim de semana e as regras no entorno de escolas e hospitais alongam o projeto. Cada dia a mais multiplica os itens acima.
O método não destrutivo elimina a maior parte desses itens, porque a superfície fica praticamente intocada; só os poços de entrada e de saída são abertos.
Em que condições é indicado?
- Quando é preciso passar por baixo de uma rodovia, de uma ferrovia, de um curso de água ou de uma estrutura existente: é a única solução onde a vala a céu aberto é impossível na prática.
- Quando a superfície precisa ser preservada: asfalto recém-feito, patrimônio histórico, áreas de paisagismo.
- Quando a interrupção do trânsito é inaceitável: vias principais, acessos a hospitais, rotas dos bombeiros.
- Quando a rede é profunda: abrir uma vala profunda é caro e difícil do ponto de vista da segurança; o método não destrutivo é menos afetado pela profundidade.
- Quando há restrições ambientais: raízes de árvores, áreas de preservação, solo contaminado que não pode ser revolvido.
Os limites do método
A condição do terreno é decisiva. Em solo fino e homogêneo, o avanço é previsível; já em solo com blocos grandes, leito de cascalho ou rocha dura, o avanço fica mais lento e o risco de desvio em relação ao traçado aumenta.
O risco cresce quando o mapa das redes enterradas existentes está incompleto. Como no método não destrutivo o avanço não é visível, atingir uma rede não mapeada tem consequências mais graves do que na vala a céu aberto.
O diâmetro e o comprimento da rede também impõem limites; nem todo diâmetro e nem toda distância podem ser vencidos com qualquer método. No início do projeto, o método, o diâmetro e a distância devem ser avaliados em conjunto.
O estudo prévio não se pula
No método não destrutivo, a surpresa mais cara aparece no trabalho iniciado sem estudo do terreno. Uma rocha inesperada ou uma rede não mapeada atrasa o projeto e pode até obrigar a voltar para a vala a céu aberto. O estudo do terreno e o levantamento das redes existentes são feitos antes da escolha do método.
Pontos de atenção na obra
- Posição dos poços de entrada e de saída: devem ser escolhidos os pontos que menos atrapalham o trânsito e os acessos.
- Levantamento das redes existentes: devem ser obtidas informações atualizadas das redes junto às concessionárias e órgãos responsáveis e, se necessário, feitas sondagens de verificação.
- Acompanhamento do avanço: a direção e a profundidade do traçado devem ser monitoradas continuamente; um desvio detectado cedo pode ser corrigido.
- Controle de movimentos da superfície: principalmente nas travessias rasas, deve-se monitorar se há recalque ou levantamento na superfície.
- Se o solo é duro ou rochoso na abertura dos poços de entrada e de saída, o rompedor entra em ação; o planejamento de implementos para essa etapa deve ser feito à parte.
