Resposta curta
O rompedor com pressão de nitrogênio baixa golpeia fraco: a frequência de impacto muitas vezes aumenta, mas o golpe perde força. A pressão cai por três motivos: vazamento pelo envelhecimento das vedações, a passagem natural do gás com o tempo e dano no diafragma ou no acumulador. Como a pressão varia com a temperatura, a pressão de nitrogênio é medida com o rompedor frio, a cerca de 20 °C; os valores informados pela HKM valem para essa temperatura. A pressão de carga correta é específica de cada modelo e consta no manual do seu rompedor.
Para que serve o nitrogênio no rompedor?
No cabeçote traseiro do rompedor hidráulico há gás nitrogênio sob pressão. Ao subir, o pistão comprime esse gás; o gás, por sua vez, age como uma mola, empurra o pistão para baixo e soma força ao golpe. Ou seja, parte da energia de impacto vem do sistema hidráulico e parte vem do gás.
Os rompedores da Linha Grey da HKM trabalham com uma unidade de potência híbrida: o gás e o sistema hidráulico produzem o golpe juntos, por isso a pressão de nitrogênio afeta diretamente a força do golpe. Já os rompedores da Linha Red têm acionamento totalmente hidráulico e trabalham com um acumulador de alta pressão; quando a pressão de gás do acumulador cai, o golpe também enfraquece. Nos dois casos, quando a pressão de gás cai, o rompedor perde força, mas não apresenta falha: apenas enfraquece aos poucos. Por isso é difícil perceber.
Por que a pressão cai?
- Envelhecimento das vedações: a vedação do cabeçote traseiro endurece com o tempo e começa a vazar. É a causa mais comum.
- Passagem natural: a molécula de nitrogênio é pequena; mesmo em um sistema em bom estado, há alguma perda de pressão em um prazo muito longo. Isso é normal, e é por isso que existe a recarga periódica.
- Dano no diafragma: nos modelos com acumulador, se o diafragma rompe, o gás passa para o lado hidráulico. Nesse caso, a pressão cai de repente e o rompedor perde força de forma nítida.
- Carga errada: um vazamento deixado na válvula durante a carga, ou um adaptador mal assentado, faz a pressão ir embora em pouco tempo.
- Superaquecimento: golpes em vazio contínuos ou resfriamento insuficiente do óleo elevam a temperatura do cabeçote traseiro e encurtam a vida útil das vedações.
Sintomas: o que o rompedor está dizendo?
O sintoma mais típico de um rompedor com pressão de nitrogênio baixa é o golpe ficar "fraco". Na mesma rocha, ele não consegue abrir hoje a trinca que abriu ontem, e o operador precisa manter o rompedor mais tempo no mesmo ponto.
O segundo sintoma é o ritmo dos golpes. Quando a pressão da câmara de gás cai, a mola de gás que empurra o pistão para baixo enfraquece; o rompedor muitas vezes golpeia mais rápido que o normal, porém mais fraco. Se o ritmo ficou mais lento, a vazão de óleo e a pressão de trabalho são as primeiras suspeitas.
O aquecimento do rompedor acima do normal, sozinho, não indica problema de nitrogênio; a temperatura do óleo, a vazão e o vazamento interno dão o mesmo sintoma.
O erro mais comum
No rompedor que golpeia fraco, primeiro se troca a ponteira, depois se mexe nos ajustes hidráulicos. Mas a ordem de verificação deve começar pelo outro lado: primeiro se mede a pressão de nitrogênio, porque é a causa mais fácil de medir e a que mais aparece.
Como fazer a medição corretamente?
A pressão do gás varia com a temperatura: o mesmo rompedor marca alto quando está quente e baixo quando está frio. Por isso, a pressão de nitrogênio é medida com o rompedor frio, a cerca de 20 °C; os valores de carga informados pela HKM valem para essa temperatura. Um rompedor que acabou de sair do trabalho marca mais alto, então antes de medir é preciso esperar que ele esfrie. Em frio intenso, o valor lido sai baixo; se possível, a medição é feita em um local ameno e fechado, e não se recarrega com base em um valor lido numa manhã fria. Em um rompedor de outra marca, é o manual dele que indica para qual temperatura o valor é dado.
Para a medição, usa-se o kit de carga do próprio rompedor: regulador com manômetro, adaptador e cilindro de nitrogênio. O adaptador deve assentar por completo na válvula de carga; uma conexão frouxa dá leitura errada e ainda deixa escapar gás durante a medição.
Durante a medição, não se aplica pressão sobre a ponteira: o rompedor fica na horizontal, a ponteira fica livre na posição mais baixa, o motor da máquina portadora é desligado e as linhas hidráulicas ficam sem pressão. Na carga, usa-se somente nitrogênio; oxigênio ou ar comprimido nunca devem ser usados.
Por que não informamos o valor correto aqui?
A pressão de carga é diferente em cada modelo e varia conforme a linha, o tamanho e o tipo de cabeçote traseiro do rompedor. As recomendações de "tantos bar" que circulam na internet são valores de outras marcas; pressão errada não faz bem ao rompedor. O valor correto consta no manual de operação do seu rompedor. Se não tiver o manual, envie o código do modelo e pergunte para nós; consultamos o registro e informamos.
Com que frequência verificar?
A regra que funciona na prática é esta: verifique a cada troca de ponteira. A troca de ponteira já é o momento em que o rompedor está parado; não gera trabalho extra.
Fora isso, a verificação periódica regular segue a tabela de manutenção do manual do rompedor. Em obras de trabalho pesado (pedreira em operação contínua, rocha dura, temperatura ambiente alta), o intervalo diminui.
Se a pressão cai depressa entre duas cargas, o problema não está na carga, e sim em uma vedação que vaza ou em um diafragma danificado. Ficar colocando gás o tempo todo só adia a falha.
