Resposta curta
A frequência de impacto do rompedor depende da velocidade com que o pistão vai e volta, e a peça que define isso é a válvula de controle. A válvula monta o ciclo dirigindo o óleo hidráulico alternadamente para baixo e para cima do pistão: manda o óleo para baixo, o pistão sobe; muda de posição, o pistão desce e golpeia. Ou seja, a válvula não produz potência, produz ritmo. Essa distinção é decisiva no diagnóstico: a perda de potência quase sempre vem de outro lugar, mas o ritmo irregular quase sempre aponta para a válvula. A segunda característica da válvula é ser a peça de tolerância mais apertada do rompedor e a que mais exige óleo limpo; por isso, as falhas de válvula fazem parte da história do óleo sujo.
Como o ciclo é montado?
A válvula é um carretel que se movimenta para a frente e para trás dentro da sua camisa, e esse movimento define para qual canal o óleo vai. Em uma posição, o óleo vai para baixo do pistão e o empurra para cima; na outra, o lado de baixo é aliviado e o pistão desce.
O que faz a válvula mudar de posição é a própria posição do pistão: quando o pistão chega a um determinado ponto, ele abre um canal, e a válvula muda de posição com esse sinal. Ou seja, o sistema se autocomanda e o ciclo continua.
Por isso, a frequência de impacto depende da rapidez e da precisão com que a válvula muda de posição. Se a válvula se movimenta devagar ou de forma incompleta, o ritmo cai e fica irregular.
Por que ela exige o óleo mais limpo?
A folga entre o carretel da válvula e a camisa é uma das tolerâncias mais apertadas do rompedor. Essa folga é necessária tanto para a estanqueidade quanto para o movimento livre, e é muito pequena.
Quando uma partícula dura do óleo entra nessa folga, duas coisas podem acontecer: ela risca a superfície ou trava o carretel em uma posição. O risco provoca vazamento interno e enfraquece o ciclo; o travamento significa parada imediata ou funcionamento irregular.
Por isso, as falhas de válvula quase sempre fazem parte da cadeia do óleo sujo. Trocar a válvula sem trocar o óleo traz a mesma falha de volta em pouco tempo.
Ritmo irregular aponta para a válvula; perda de potência aponta para todos
Essa é a distinção que ajuda no diagnóstico. Se a energia de impacto caiu, mas o ritmo está regular, os suspeitos são muitos: nitrogênio, vazamento interno, valores hidráulicos, desgaste. Se o ritmo está irregular, ou seja, se o rompedor às vezes falha um golpe ou perde a cadência, a lista encurta e a válvula passa para o primeiro lugar. Por isso, ouvir o som é uma ferramenta de diagnóstico gratuita.
Sintomas de falha da válvula
Nenhum desses sintomas é exclusivo da válvula; a pressão do nitrogênio, o ajuste hidráulico e o desgaste produzem um quadro parecido. Para o diagnóstico por sintoma, veja a sequência na página o rompedor golpeia fraco.
- Ritmo de golpes irregular: o sintoma mais típico. O rompedor funciona, mas a cadência não é constante.
- Falhas ocasionais: o pistão não consegue completar o ciclo e um golpe se perde.
- Demora para começar a golpear ou ausência de acionamento: o carretel pode estar travado em uma posição.
- Perda de potência acompanhada de aquecimento: o vazamento interno na válvula aumenta tanto a perda de energia quanto o calor.
- Irregularidade que se acentua no frio: o óleo mais espesso dificulta o movimento em uma folga que já é apertada.
Troca da válvula e a camisa
A válvula é formada por duas peças, o carretel e a camisa (o alojamento), e as duas trabalham juntas. Assim como no pistão e no cilindro, quando uma das superfícies se danifica, a outra também começa a se danificar.
Por isso, a avaliação da válvula abrange as duas peças. Montar um carretel novo em uma camisa riscada deixa o carretel novo no mesmo estado em pouco tempo.
O ponto mais crítico durante a troca é a limpeza. Como a válvula é a seção de tolerância mais apertada do rompedor, até a menor partícula que entra durante a montagem deixa marca diretamente; esse trabalho exige um ambiente sem poeira.
O que fazer e o que não fazer
O que fazer
- Leve a sério a irregularidade do ritmo; ela é o sinal mais claro de um problema na válvula.
- Na avaliação da válvula, considere o carretel e a camisa em conjunto.
- Depois da troca da válvula, corrija também o estado do óleo e dos filtros da máquina.
- Separe primeiro, com um período de aquecimento, a irregularidade que aumenta no frio; se ela persistir, inclua a válvula na lista de suspeitos.
- Faça a montagem em um ambiente sem poeira e com óleo limpo.
O que não fazer
- Não troque a válvula e continue trabalhando com óleo sujo.
- Não tente retirar à força um carretel travado; você danifica a camisa.
- Não atribua a irregularidade do ritmo apenas à pressão do nitrogênio.
- Não tente corrigir a superfície da válvula com lixa ou método semelhante no canteiro.
- Não use a válvula de outro modelo só porque a dimensão parece servir; a geometria dos canais é específica de cada modelo.
