Resposta curta
As primeiras horas de trabalho de um rompedor recuperado definem os meses seguintes. Até que as superfícies novas da bucha, das vedações e do pistão se assentem umas nas outras, o atrito e o calor ficam acima do normal. As regras do amaciamento são simples: não comece com carga total antes de o óleo chegar à temperatura de trabalho, trabalhe em material mais mole nas primeiras horas, evite o golpe em vazio e, depois do primeiro trabalho, verifique de novo o torque dos tirantes e a pressão de nitrogênio.
Por que o amaciamento é necessário?
As superfícies das peças recém-montadas são rugosas em escala microscópica. Nas primeiras horas de trabalho, essas rugosidades se assentam umas nas outras; nesse período, o atrito, o calor e o desgaste ficam acima do normal. O material desgastado se mistura ao óleo; por isso, a verificação antecipada do filtro depois do amaciamento é importante.
O segundo motivo é mecânico. As peças do corpo que foram desmontadas e montadas de novo só se assentam por completo com os primeiros choques de trabalho. Esse assentamento reduz um pouco a tensão dos tirantes do primeiro aperto. Isso é normal, e é por isso que o torque é reaplicado depois do amaciamento.
A primeira partida, em ordem
- Depois de fazer as ligações hidráulicas, antes de acionar o rompedor, deixe a máquina funcionar em marcha lenta por um tempo; o óleo circula e a temperatura sobe. Carga total com óleo frio e viscoso é o pior começo.
- Comece com a ponteira totalmente pressionada contra o material e em ângulo perpendicular. Os primeiros golpes devem ser no eixo.
- Nas primeiras horas, trabalhe em material mais mole e em intervalos curtos; não aplique carga total contínua.
- Evite a qualquer custo o golpe em vazio. No amaciamento, o golpe em vazio dá choque direto em junções que ainda não se assentaram.
- Verifique a alimentação de graxa; uma bucha nova pune o erro de lubrificação mais depressa que o normal.
- Acompanhe a temperatura. No amaciamento, espera-se um leve aquecimento extra; mas, se a temperatura chegar a ponto de não se poder tocar com a mão, pare e procure a causa.
Verificações a repetir depois do amaciamento
- Torque dos tirantes: é reaplicado em sequência cruzada. É a verificação mais crítica do amaciamento.
- Pressão de nitrogênio: é medida com o rompedor já frio, a cerca de 20 °C; se o cabeçote traseiro foi desmontado, a verificação é obrigatória.
- Verificação de vazamentos: as linhas de junção do corpo, a região da ponteira e as conexões são inspecionadas visualmente.
- Filtro: é verificado cedo para capturar as partículas de desgaste geradas no amaciamento; se necessário, é trocado antes do prazo.
- Folga da ponteira: se a bucha foi trocada, a folga real depois do assentamento é registrada nesta etapa; os meses seguintes são comparados com ela.
Mantenha o registro
Anote na ficha da máquina a pressão de nitrogênio medida depois do amaciamento, a folga da ponteira e a data em que o torque foi aplicado. Daqui a três meses, a pergunta "essa folga aumentou?" só terá resposta se houver um valor inicial. Esse registro de poucos minutos tira os diagnósticos seguintes do palpite e os baseia em medição.
Os erros mais comuns no amaciamento
O primeiro é a pressa. O rompedor que sai do reparo muitas vezes volta para uma obra em que o trabalho está atrasado e é posto em carga total no material mais duro desde a primeira hora. As poucas horas ganhas custam meses de vida útil.
O segundo é pular a verificação de torque. A ideia de que "já foi apertado na oficina" é comum, mas o objetivo do amaciamento é justamente pegar o afrouxamento que vem depois do primeiro assentamento.
O terceiro é não limpar o sistema. Se o rompedor foi recuperado, mas o óleo sujo ficou no lugar, as peças novas têm o mesmo fim das antigas. Junto com a decisão de reparo, também deve ser tomada a decisão sobre o óleo e os filtros.
