Resposta curta
O risco real de um implemento usado não é o desgaste, e sim não conhecer o desgaste. Um implemento que trabalhou de forma regular e teve tudo registrado é bem mais seguro do que um de histórico desconhecido, e geralmente vale a diferença de preço. O que você procura não é um estado "de novo"; o que você procura é um desgaste UNIFORME. Uma ponteira e uma bucha gastas de forma simétrica descrevem um implemento usado corretamente; desgaste de um lado só, trincas e marcas de solda podem significar desistir da compra, seja qual for o preço.
Primeiro os documentos, depois o metal
- Existe registro de manutenção? As datas, as horas de funcionamento e as peças trocadas estão anotadas? É exatamente aí que aparece o valor de manter os registros.
- Quantas horas o implemento trabalhou, e de onde vem esse número? Um valor tirado do horímetro da máquina portadora não mostra o tempo real de trabalho do implemento.
- O manual de operação e o catálogo de peças estão junto? Sem eles, de onde você vai tirar os intervalos de manutenção e os valores de torque?
- Quais peças foram trocadas por último, e por quê? "Fez revisão completa no mês passado" só tem valor com a nota fiscal ao lado.
- Em que tipo de trabalho ele foi usado? Três anos em demolição de concreto e três anos em rocha abrasiva não produzem o mesmo desgaste.
O que olhar no metal
- 1
Olhe a haste da ponteira
Há uma marca brilhante de um lado só? Ela indica trabalho sob carga lateral e desgaste irregular da bucha. Desgaste simétrico é normal; uma marca de um lado só pede explicação.
- 2
Peça a medição da folga da bucha
Medindo, não balançando a ponteira com a mão. O limite está no manual. Se a folga estiver no limite, some ao preço o custo de um kit de revisão; se estiver bem acima, a haste da ponteira e a superfície do pistão também precisam ser examinadas.
- 3
Inspecione a região dos tirantes
Há tinta trincada em volta das porcas, pó de fretting (corrosão por atrito) ou uma área repintada? Tinta nova muitas vezes é aplicada para esconder alguma coisa.
- 4
Examine o corpo e a união com o suporte
Procure marcas de solda e trincas, principalmente onde o suporte se une ao corpo. Uma solda de reparo não elimina a compra por si só, mas é preciso perguntar por que ela foi feita.
- 5
Verifique as conexões das mangueiras e os pontos de graxa
A boca de alguma conexão está amassada, algum ponto de graxa está entupido ou quebrado? São detalhes pequenos, mas mostram com que seriedade a manutenção foi feita.
- 6
Se puder, acione e ouça
Em uma máquina adequada, acione o implemento por um momento com a ponteira pressionada contra o material e avalie o ritmo e o som. Se o vendedor não deixar acionar, pergunte por quê.
Quais sinais significam desistir da compra?
Alguns sinais são motivo de negociação; outros, não. A diferença vem menos de o dano ter conserto ou não e mais de a causa dele ser conhecida.
- Uma trinca no corpo, principalmente na união com o suporte: é um problema estrutural e o reparo é incerto.
- Riscos profundos ou corrosão na superfície do pistão: está fora do escopo do kit de revisão e é um item separado e caro.
- Uma haste da ponteira visivelmente torta: mostra trabalho prolongado sob carga lateral, e as buchas também já chegaram ao fim.
- Um número de série ilegível ou removido: elimina a rastreabilidade de peças e de garantia.
- Um vendedor que não deixa acionar: não é um sinal por si só, mas pesa muito quando se soma aos outros.
Inclua o kit de revisão no preço desde o início
Em um implemento de histórico desconhecido, a abordagem mais segura é programar um kit de revisão antes de colocá-lo em operação. Trate isso não como uma despesa surpresa, e sim como parte do preço de compra. Se o kit não for necessário, você sai ganhando; se for, ele já estava no orçamento.
Quando o novo é a decisão certa?
O implemento novo vence com clareza em três situações. A primeira é quando o implemento está no caminho crítico da obra: se a obra inteira para quando ele para, assumir um histórico desconhecido custa caro demais.
A segunda é a compra de várias unidades do mesmo implemento. Padronizar a frota concentra o estoque de peças e o hábito dos operadores em um só ponto, e essa padronização é difícil de conseguir no mercado de usados.
A terceira é o uso intenso. Para um implemento que vai ser usado de vez em quando, o usado faz sentido; para um que vai trabalhar oito horas por dia, a diferença de preço se dissolve rapidamente no custo por hora.
O que fazer e o que não fazer
O que fazer
- Comece pelos documentos: registro de manutenção, manual, notas fiscais de peças.
- Peça a medição da folga da bucha em vez de avaliar com a mão.
- Some desde o início o custo de um kit de revisão ao orçamento de compra.
- Veja se o desgaste é simétrico; a forma diz mais do que a quantidade.
- Confirme antes da compra que o suporte serve na sua máquina.
O que não fazer
- Não decida pela pintura e pela limpeza; tinta nova esconde sinais.
- Não compre um implemento com o corpo trincado porque o preço está baixo.
- Não aceite "pouco usado" sem registro.
- Não pule as medidas do suporte achando que dá para resolver depois.
- Não compre, sem perguntar o motivo, um implemento que não deixaram você acionar.
