Resposta curta
Não existe uma categoria absoluta chamada demolição sem vibração; o que existe são métodos com vibração claramente menor, e todos têm algo em comum: retiram o material cortando ou esmagando, em vez de quebrá-lo com impacto. O impacto entrega a energia num único ponto e de uma só vez, e parte dessa energia passa para o solo e para a estrutura como vibração. Já o corte e o esmagamento entregam a energia de forma contínua e distribuída; fazem o mesmo trabalho, mas deixam muito menos trepidação para trás. O preço é a velocidade, e esse preço é real. Por isso a pergunta não é "como se faz uma demolição sem vibração", e sim "em qual etapa é preciso reduzir a vibração".
Por que e por onde a vibração se propaga?
O golpe do rompedor entra no material, quebra o material, e a energia que sobra continua avançando dentro da estrutura. Essa energia passa pela fundação para o solo, e do solo para a edificação vizinha. Ou seja, a vibração não vai pelo ar, vai pelo solo.
A consequência prática é esta: o tipo de solo pesa tanto quanto a distância até a edificação vizinha. Solo rochoso transmite bem a vibração; aterro solto e espesso a amortece. A mesma demolição é sentida de forma muito diferente pelo vizinho em dois solos diferentes.
A segunda consequência tem a ver com o tamanho do elemento rompido. Ao romper uma massa grande, gasta-se mais energia e produz-se mais vibração; cortar primeiro a mesma massa em pedaços reduz a vibração total.
Métodos de baixa vibração
- Tesoura para concreto: separa o elemento esmagando o concreto entre as mandíbulas e cortando a armadura. Do ponto de vista da vibração, é uma das opções mais baixas, e ainda retira o elemento de forma controlada. O preço é a velocidade e o limite de espessura da seção.
- Pulverizador: esmaga o concreto e o separa dos vergalhões. Não trabalha por impacto, por isso produz claramente menos vibração do que o rompedor. A maior parte de uma demolição de concreto armado pode ser feita com esse implemento.
- Tesoura hidráulica: no corte de estrutura de aço e de vergalhões; o corte não é por impacto, por isso produz claramente menos vibração do que o rompedor.
- Fresa de tambor: retira concreto e rocha cortando; para locais que exigem precisão de perfil e baixa vibração.
- Fio diamantado e serra de parede: são os métodos de menor vibração; não são implementos, e sim outra classe de equipamento, usada em seções espessas.
- Garra: para movimentar as peças retiradas e para a demolição seletiva; não aplica impacto, por isso sua própria contribuição para a vibração é baixa.
Não é preciso tirar o rompedor de cena por completo
O limite de vibração, na maioria das vezes, não vale para o canteiro inteiro, e sim para uma parte dele: a fachada voltada para o vizinho, a proximidade de uma instalação sensível ou determinados horários.
Isso permite um plano misto: nas áreas longe do vizinho, avança-se rápido com o rompedor; ao se aproximar, passa-se para o pulverizador e para os implementos de corte. Se o plano de demolição prevê essa transição desde o início, a velocidade e o limite podem conviver no mesmo canteiro.
O segundo método é mudar o lugar onde o rompedor trabalha: em vez de romper a estrutura no lugar, cortar e baixar as peças e rompê-las no chão. O rompimento feito no chão reduz claramente a vibração transmitida pela estrutura.
A carcaça fechada reduz o ruído, não a vibração
No canteiro, o rompedor silenciado é muitas vezes tomado como solução para a vibração. A carcaça fechada reduz claramente o ruído que se espalha para fora e protege o mecanismo interno; mas a energia do golpe é a mesma, e a vibração que passa para o solo praticamente não muda. Se a reclamação do vizinho é pelo som, a carcaça fechada ajuda; se é pela trepidação, é preciso mudar o método.
O que fazer e o que não fazer
O que fazer
- Deixe claro onde e quando o limite vale; na maioria das vezes, não é o canteiro inteiro.
- Monte o plano de demolição já com os pontos de transição do rompedor para os implementos de corte.
- Corte primeiro as massas grandes em pedaços; pedaço menor produz menos vibração.
- Se possível, faça o rompimento no chão, e não sobre a estrutura.
- Descubra se a reclamação do vizinho vem do som ou da trepidação; a solução muda conforme o caso.
O que não fazer
- Não considere o rompedor com carcaça fechada uma solução para a vibração.
- Não tente resolver o limite de vibração só com a escolha do implemento; o método e a sequência também mudam.
- Não diga "isso não vai dar problema" sem medir.
- Não assuma compromisso de prazo sem levar em conta o preço em velocidade dos métodos de corte.
- Não deixe as peças cortadas caírem sem controle; o impacto da queda também transmite vibração ao solo.
Os limites dos métodos
O limite comum dos métodos de baixa vibração é a velocidade, e esse limite é real: retirar o mesmo volume leva mais tempo do que com o rompedor. Não levar essa diferença em conta ao assumir um prazo é o erro de planejamento mais comum no canteiro.
O segundo limite é a espessura da seção. A tesoura para concreto e a serra trabalham até uma certa espessura; além dela, são necessários outros métodos, como o fio diamantado, e isso significa outro equipamento e outra equipe.
O terceiro limite é o material: o pulverizador esmaga o concreto, mas não corta perfil de aço espesso; a tesoura corta, mas não entra na massa de concreto. Por isso uma demolição de baixa vibração geralmente não é feita com um único implemento, e sim com vários usados em sequência.
