Resposta curta
Em volta de um implemento em operação, os riscos se agrupam em três categorias, e cada uma avança em uma direção diferente: o fragmento projetado vai na horizontal, o material que cai vai na vertical e a rede enterrada espera na direção em que o implemento avança. Por isso, uma única regra de distância não cobre os três; o perímetro é definido conforme a direção do risco. Este guia não dá números de distância, porque a distância correta varia conforme a máquina, o implemento, o material e a legislação local. O que ele dá é a lógica de decisão: saber qual risco está em qual direção também diz onde montar o perímetro.
Projeções: horizontais e imprevisíveis
Os fragmentos que se soltam com o rompedor em operação não são lançados ao acaso, e sim conforme o plano de ruptura. Mas, como esse plano não é conhecido de antemão, o resultado na prática é imprevisível. Em material duro e frágil, a distância de projeção aumenta; concreto e pedra natural exigem atenção especial.
A proteção da cabine é outro assunto e depende dos equipamentos da máquina; é por isso que existem, nos trabalhos de demolição, a proteção do para-brisa e a grade de proteção da cabine. Mas o perímetro protege quem está em volta, não quem está dentro da cabine.
Por isso, a pessoa mais exposta não é o operador, e sim quem fica ao lado do implemento. O erro mais comum na obra são dois trabalhadores atuando fora do campo de visão do operador e perto da superfície que está sendo rompida.
Quedas: verticais e com atraso
Na demolição, uma parte rompida não cai na hora; ela se rompe, se mexe e depois cai. O intervalo pode ser de alguns segundos e, na maioria das vezes, nesse momento o operador já passou para outro ponto.
Por isso, o perímetro deve cobrir não só o ponto onde o implemento está, mas também a direção de queda da estrutura rompida. No corte de pilares e na desmontagem de pavimentos, essa área é muito maior do que o próprio implemento.
Na demolição urbana, essa área envolve também os lotes vizinhos; o tema foi tratado, junto com a vibração e o ruído, em um guia separado e na página de aplicação.
Redes enterradas: o risco que espera à frente
Esse risco é diferente dos outros dois, porque não se controla com perímetro: se a posição da rede não é conhecida, montar um perímetro não adianta. A forma de controle é o levantamento das redes antes da escavação, a marcação e, quando necessário, a escavação manual.
- Rede elétrica: quando cortada por um rompedor ou um escarificador, cria risco elétrico direto tanto para o operador quanto para quem está em volta.
- Rede de gás: a de consequências mais graves. Não se entra no solo com o rompedor sem antes fazer o levantamento das redes enterradas.
- Água e esgoto: o risco à vida é menor, mas o rompimento para o trabalho e deixa a vala impossível de trabalhar.
- Telecomunicações e fibra óptica: a mais difícil de perceber; o corte pode passar despercebido, o trabalho continua e a responsabilidade aparece depois.
Aqui não se dão números de distância
A distância segura varia conforme o tamanho da máquina, o tipo de implemento, o material, a altura e a legislação local. Um número inventado seria aqui ao mesmo tempo errado e perigoso. Use as distâncias válidas na sua obra conforme o manual da sua máquina, as instruções de uso do implemento e o plano de segurança do trabalho do empregador.
O que fazer e o que não fazer
O que fazer
- Monte o perímetro conforme a direção do risco: projeções na horizontal, quedas na vertical, redes no sentido do avanço.
- Antes de escavar e romper, mande fazer o levantamento das redes enterradas e mantenha a marcação visível na obra.
- Use uma linguagem de sinais combinada antes entre o operador e a equipe de solo; com o implemento em operação, não se ouve nada.
- Na demolição, inclua no perímetro a direção de queda da parte rompida.
- Desligue a máquina para trocar o implemento e para a manutenção; não se trabalha ao lado de uma máquina em funcionamento.
O que não fazer
- Não trabalhe ao lado do implemento e fora do campo de visão do operador.
- Não passe por baixo de uma parte rompida que ainda não caiu.
- Não aprofunde com o rompedor ou o escarificador em solo onde não foi feito o levantamento das redes.
- Não retire o perímetro porque "o trabalho é rápido"; a projeção também acontece no primeiro golpe.
- Não fique embaixo nem ao lado de um implemento suspenso no ar.
O elo entre o operador e a equipe de solo
Com o implemento em operação, a comunicação por voz não funciona; o barulho do rompedor abafa tanto a conversa quanto o rádio. Por isso, o perímetro de segurança é tanto uma questão de comunicação quanto uma questão técnica de distância.
A organização que funciona é simples: quem vai entrar no perímetro primeiro faz contato visual com o operador, o operador para o implemento e sinaliza isso de forma visível, e só então se entra. Quando essa ordem é quebrada, o acidente acontece sem nenhum defeito da máquina ou do implemento.
A segunda regra é aceitar que o campo de visão do operador é limitado. Quanto maior o implemento, maior o ponto cego. A equipe de solo não supõe que foi vista; confirma que foi vista.
