Resposta curta
O mesmo modelo de implemento tem vida útil claramente diferente em duas obras diferentes, e a diferença, na maioria das vezes, não vem do uso, e sim do ambiente. Três fatores são decisivos: o pó desgasta, a lama retém o calor e a água lava a graxa. Nenhum dos três entra no interior do implemento; eles entram entre o implemento e suas peças móveis e avançam a partir dali. Nenhum deles pode ser evitado, mas todos podem ser controlados, porque os três entram pelo mesmo lugar: o espaço onde deveria estar a graxa. Quanto mais difícil o ambiente, mais a gestão da graxa se torna, sozinha, a medida mais eficaz.
Pó: o abrasivo é a própria pedra
O pó gerado pelo rompimento é o próprio material rompido. Se você está rompendo granito, o pó no ar é granito, e o granito é mais abrasivo que o aço. Quando esse pó entra no espaço entre a haste da ponteira e a bucha, a película de graxa vira uma pasta de esmerilhar.
Por isso, em um rompedor que trabalha em rocha abrasiva, o desgaste da bucha é mais rápido do que no mesmo rompedor em demolição de concreto, mesmo com o mesmo número de golpes. O que desgasta não é o golpe, é o material que entra junto com ele.
O segundo caminho do pó é o sistema hidráulico. Uma conexão deixada aberta, um engate rápido hidráulico conectado sem ser limpo e uma troca de filtro feita em ambiente com pó levam o pó direto para o óleo. Esse caminho é mais lento, mas sai mais caro; é ali que começa a cadeia da contaminação.
Lama: um cobertor isolante invisível
A lama não desgasta, mas retém o calor. Uma camada de lama que gruda no corpo e seca impede que o calor gerado pelo rompedor seja dissipado. O resultado, no mesmo trabalho, é uma temperatura maior no corpo e uma degradação mais rápida da graxa.
O segundo efeito é esconder. Debaixo da lama, um vazamento não aparece, uma trinca na pintura não aparece, o pó de fretting em volta dos tirantes não aparece. Ou seja, a lama não cobre só o calor, cobre também os primeiros sinais de alerta.
Esses dois motivos tiram a limpeza da categoria de cuidado estético e a transformam em etapa de manutenção. Uma limpeza grosseira do corpo no fim do turno é a condição para que a verificação da manhã seguinte sirva para alguma coisa.
Água: tira a graxa do lugar
A água não faz o que o pó e a lama fazem; ela lava a graxa. A almofada de graxa na boca da bucha fica mais fina ao entrar em contato com a água e sai do lugar. Quando a graxa sai, abre-se um espaço, e por ele entra primeiro a água e depois o pó.
Por isso, o ambiente úmido exige lubrificação mais frequente do que o ambiente seco. Não damos o número aqui porque o ambiente e o modelo são decisivos; a referência é a observação: a graxa que sai pela boca da bucha deve continuar limpa.
O trabalho contínuo dentro da água exige um regime próprio, que tratamos em um guia separado. O assunto aqui é a umidade intermitente, como uma obra com chuva ou uma vala cujo fundo acumula água.
Os três fatores têm o mesmo endereço
Pó, lama e água causam dano de formas diferentes, mas todos vão para o mesmo lugar: o espaço entre a haste da ponteira e a bucha. Se a graxa preenche esse espaço, os três ficam em grande parte do lado de fora. Quando o ambiente fica mais difícil, a primeira coisa a revisar não é o intervalo de manutenção, e sim a disciplina de lubrificação.
O que fazer e o que não fazer
O que fazer
- Em rocha abrasiva, encurte o intervalo de lubrificação; a graxa empurra o material abrasivo para fora antes que ele entre.
- No fim do turno, faça uma limpeza grosseira do corpo e da região em volta da ponteira.
- Tampe as conexões a cada desmontagem e limpe-as antes de reconectar.
- Em obra com pó, faça as intervenções de filtro e óleo em um lugar protegido do vento.
- Lubrifique depois do trabalho em ambiente úmido; renove a almofada de graxa que a água lavou.
O que não fazer
- Em ambiente com pó, não deixe a ponteira no chão antes de montá-la; o pó grudado na haste vai direto para a bucha.
- Não deixe o corpo cheio de lama sem limpar achando que "vai sujar de novo mesmo".
- Não reduza a graxa porque ela está saindo suja; a graxa suja está justamente fazendo seu trabalho e levando a sujeira para fora.
- Não aponte o jato de alta pressão direto para a região das vedações e das conexões; a água é empurrada para dentro.
- Não use a ponteira com canais para saída de pó em argila úmida e pegajosa nem na lama; os canais se enchem de material e deixam de funcionar. Nesse caso, use a ponteira padrão.
Escolha de ponteira e de implemento conforme o ambiente
O ambiente não afeta só a manutenção, afeta também a escolha. Em material abrasivo, a vida útil da ponteira é curta, e é por isso que existem ponteiras para rocha dura; mas a ponteira mais dura nem sempre é a resposta certa e, no lugar errado, quebra mais rápido.
Em trabalhos de perfuração e rompimento com muito pó, as ponteiras com canais para saída de pó levam para cima e para fora, pelos canais da superfície externa, o pó que se acumula no furo; o golpe chega à rocha, e não ao pó, e menos pó abrasivo chega à bucha. Tratamos em um guia separado onde elas fazem diferença de verdade.
Em solo lamacento e pegajoso, porém, o problema não é o desgaste, é o entupimento; o material que gruda em caçambas, garras e implementos de peneiramento reduz diretamente o ritmo de trabalho. Aqui a solução não é a graxa, e sim a geometria e o método de trabalho.
