Resposta curta
A deformação em cogumelo é o esmagamento da ponteira pelos golpes, com o metal se espalhando para as bordas, e pode acontecer nas duas extremidades. Na cabeça de impacto (o lado do pistão), a causa principal é o golpe em vazio; a combinação errada entre ponteira e rompedor e o superaquecimento aceleram o processo. Na ponta de trabalho, a causa é golpear por muito tempo no mesmo ponto e superaquecer a ponteira. Na cabeça de impacto, o perigo é este: a cabeça alargada prende dentro da bucha, danifica o rasgo do pino de retenção e a ponteira não sai mais. Se percebida cedo, a cabeça pode ser esmerilhada e voltar à geometria original; se uma trinca já começou, a ponteira é sucata e esmerilhá-la é perigoso.
O que é exatamente a deformação em cogumelo?
A ponteira do rompedor tem duas extremidades: a ponta de trabalho, que entra no material, e a cabeça de impacto, onde o pistão bate. A deformação em cogumelo pode acontecer nas duas, mas por motivos diferentes. Na cabeça de impacto, o pistão bate na mesma superfície a cada golpe; a energia que não chega ao material esmaga essa cabeça e o metal escoa para os lados. Com o tempo, a cabeça fica mais larga que o diâmetro da haste; daí a aparência de chapéu de cogumelo.
O encurtamento da ponta de trabalho pelo desgaste é normal e esperado; é ali que a ponteira se consome. Já o esmagamento da ponta, que se espalha para os lados, não é normal: quando se continua golpeando por muito tempo um ponto que não quebra, a energia vira calor, e a ponta superaquece, amolece e se deforma. O alargamento na cabeça de impacto também não é normal. Os dois são o registro de um erro de operação; este guia trata principalmente da cabeça de impacto.
Causas
- Golpe em vazio: é a causa número um. No golpe dado sem que a ponteira esteja bem apoiada no material, a energia não vai para o material; fica na própria cabeça da ponteira e a esmaga.
- Combinação errada entre ponteira e rompedor: uma ponteira pequena demais para o rompedor recebe mais energia do que aquela para a qual foi projetada, e sua cabeça se alarga rapidamente.
- Superaquecimento: em trabalho contínuo, a cabeça de impacto esquenta; o metal quente se deforma com mais facilidade.
- Golpear por muito tempo no mesmo ponto: é isso que deforma em cogumelo a ponta de trabalho. Quando se insiste em um ponto que não quebra, a ponta superaquece, amolece e se espalha para os lados.
- Falta de lubrificação: a ponteira que trabalha a seco esquenta por atrito dentro da bucha e chega ao mesmo resultado.
- Material de ponteira inadequado: uma ponteira de aço de baixa qualidade se alarga rapidamente mesmo quando usada corretamente.
A deformação em cogumelo é uma ferramenta de diagnóstico
Se a cabeça da ponteira retirada está alargada, ela está contando como o operador trabalha. Se, na mesma obra e no mesmo rompedor, as ponteiras se deformam em cogumelo o tempo todo, o problema não está no fornecedor de ponteiras, e sim no hábito do golpe em vazio. Olhe para isso antes de discutir a qualidade da ponteira.
Por que é perigoso?
O primeiro problema é não conseguir retirar a ponteira. A cabeça alargada não volta pelo furo da bucha; a ponteira fica presa dentro do rompedor e pode ser preciso desmontar o corpo para tirá-la. Uma troca de ponteira de meia hora vira meio dia de oficina.
O segundo problema é o rasgo do pino de retenção. A ponteira deformada não assenta direito no alojamento, o pino de retenção recebe a carga em um único ponto e entorta. Um pino entortado não segura a ponteira, que começa a ter folga e come a bucha.
O terceiro é a segurança. As bordas do metal alargado ficam frágeis; pedaços afiados podem se soltar e ser lançados durante o trabalho. Por isso, continuar trabalhando com uma ponteira deformada em cogumelo não é só uma questão econômica, é uma questão de segurança do trabalho.
Esmerilhamento: quando e como fazer?
Se o alargamento ainda está no início e não há trinca no metal, a cabeça de impacto pode ser esmerilhada e voltar à geometria original. O objetivo é retirar o excesso das bordas e fazer a cabeça voltar a ficar dentro do diâmetro da haste.
Durante o esmerilhamento, é fundamental não aquecer a ponteira. O tratamento térmico começa a se perder muito antes de o metal ficar rubro: se surgir na superfície esmerilhada uma cor amarelo-palha, marrom ou azul, aquela região esquentou mais do que o tratamento térmico suporta e muito provavelmente amoleceu. Uma cabeça amolecida volta a se alargar em pouco tempo, e mais rápido. Esmerilhe aos poucos, faça pausas frequentes e deixe a ponteira esfriar ao ar; se ela estiver quente demais para segurar com a mão, pare. Não mergulhe a ponteira quente na água nem jogue água sobre ela: o resfriamento brusco pode iniciar trincas na superfície e deixa a região superaquecida dura, mas frágil.
Seja fiel à geometria original. Arredondar demais a cabeça ou criar cantos altera a superfície de impacto do pistão e desvia parte do golpe para fora do eixo.
Por que não informamos a medida?
A quantidade máxima que pode ser esmerilhada e o limite de descarte variam conforme o diâmetro da ponteira e o modelo do rompedor. Os valores em milímetros que circulam na internet são de ponteiras de outros fabricantes; uma ponteira abaixo do limite pode quebrar dentro do rompedor. Consulte o limite do seu modelo no catálogo ou nos envie o código da ponteira.
Quando descartar a ponteira?
- Se há trinca visível na região alargada: não se esmerilha, não se usa. A trinca não desaparece com o esmerilhamento, apenas deixa de ser visível.
- Se o metal está azulado ou com outra mudança de cor: houve dano térmico e a dureza daquela região se perdeu.
- Se o diâmetro da haste caiu abaixo do limite por desgaste: a ponteira fica com folga na bucha e acaba quebrando.
- Se o rasgo do pino de retenção está amassado ou alargado: a ponteira não fica no lugar.
- Se já foi esmerilhada muitas vezes: cada esmerilhamento reduz o comprimento; a ponteira abaixo do limite do catálogo não é usada.
Prevenir: o caminho mais barato que esmerilhar
A maior parte da deformação em cogumelo se evita com o hábito do operador. Para a cabeça de impacto, basta uma regra: se o som ficar mais agudo, solte o comando e reposicione a ponteira. O som do golpe em vazio é bem diferente do som do golpe normal e é fácil de aprender. Para a ponta de trabalho, a regra é igualmente simples: se o material não quebrar, não insista no mesmo ponto; leve a ponteira para outro.
A segunda medida é a lubrificação regular com graxa. A ponteira que trabalha a seco esquenta, e a cabeça quente se alarga com mais facilidade. Um sistema de lubrificação automática reduz os dois problemas ao mesmo tempo.
A terceira é a combinação certa: usar uma ponteira de diâmetro e tipo adequados ao rompedor. Tratamos esse assunto em um guia separado.
