Resposta curta
A economia da reciclagem no canteiro de obras não vem de um único item, e sim de quatro: as viagens para levar o entulho para fora, a taxa do aterro (bota-fora), o material comprado para o reaterro e o frete desse material até o canteiro. Processar o entulho no canteiro elimina os quatro de uma vez; por isso, comparada só com o "custo da britagem", a conta parece muito mais fraca do que é. A restrição é a qualidade: se não foi definido de antemão onde o material produzido no canteiro será usado, uma pilha britada que ninguém usa não é ganho.
Transporte nos dois sentidos: a metade esquecida da conta
Quando o entulho da demolição sai do canteiro, o caminhão vai cheio e volta vazio. Depois, quando chega o material de reaterro, o caminhão vem cheio e volta vazio. Ou seja, para o mesmo volume, paga-se por dois conjuntos de viagens separados.
Processar no canteiro elimina os dois conjuntos de viagens de uma vez. Na hora da conta, geralmente só se pensa no primeiro (a saída do entulho); o segundo não aparece, porque é pago com outra rubrica do orçamento.
Somando a taxa do aterro e o valor do material comprado, são quatro itens que desaparecem juntos. O custo de máquina e de tempo da britagem deve ser comparado com a soma desses quatro.
A ordem para montar a conta
- Estime separadamente o volume de entulho que vai sair do canteiro e a necessidade de reaterro.
- Para os dois, levante o número de viagens e o custo por viagem.
- Some a taxa do aterro e o valor do material a ser comprado.
- Do outro lado, anote as horas de máquina, o consumo do implemento e o custo de mão de obra da britagem.
- Também do outro lado, inclua o custo da área necessária para armazenagem e manuseio; na cidade, esse item não é pequeno.
O quinto item na cidade
Em obras urbanas, o número de viagens de caminhão depende diretamente das autorizações e das restrições de trânsito. Reduzir as viagens não economiza só dinheiro, economiza cronograma: precisar de menos viagens dentro da janela de horário autorizada adianta o projeto no calendário. É difícil pôr preço nesse ganho, mas é o item que mais se sente no canteiro.
A restrição de qualidade: onde o material pode ser usado?
Onde o material produzido no canteiro pode ser usado depende da sua qualidade e da especificação técnica aplicável. O uso como aterro, sub-base e material para vias internas do canteiro geralmente é possível; já o uso como agregado para concreto estrutural exige atender à especificação e passar por ensaios.
Por isso o plano de reciclagem começa, antes da decisão de britar, com a pergunta "onde este material será usado?". Uma britagem sem resposta para essa pergunta não faz nada além de quebrar o entulho em pedaços menores.
A qualidade da separação também é decisiva. O material que ainda contém madeira, plástico, gesso e terra não serve para a maioria dos usos. Separar antes de britar é mais eficaz do que peneirar depois.
Condições práticas para processar no canteiro
- Espaço: é preciso lugar para a pilha antes da britagem, para a área de processamento e para o estoque do produto. Num canteiro apertado, essa é a maior restrição.
- Separação: vergalhões, madeira e terra precisam ser retirados antes da britagem. A caçamba britadora não faz essa triagem.
- Poeira e ruído: na cidade, durante o processamento, entram em jogo a supressão de poeira e as restrições de horário de trabalho.
- Escolha do equipamento: em volume baixo e médio, a caçamba britadora basta; em volume alto e contínuo, a usina de britagem móvel é mais econômica.
- Autorização: em algumas regiões, o processamento de resíduos no canteiro depende de licença; confirme antes de começar.
