Resposta curta
A remoção na reforma e a demolição são dois trabalhos que usam os mesmos implementos com objetivos opostos. Na demolição, o edifício vai embora, e os danos não são um item de custo; na reforma, o edifício fica, e a estrutura em volta de cada peça retirada não pode ser danificada. Essa oposição muda três coisas: a escolha do implemento, a ordem de remoção e o valor da velocidade. Na demolição, a velocidade ganha; na reforma, ganha o controle, e uma remoção feita às pressas volta na forma de danos que precisam ser reparados. Por isso, a regra da remoção na reforma cabe em uma frase: nada se quebra sem antes ser cortado.
Primeiro: qual elemento é estrutural?
Na reforma, a primeira tarefa não é escolher o implemento, e sim deixar claro se o elemento a ser retirado é estrutural ou não. Uma parede de vedação e uma parede estrutural de concreto parecem iguais vistas de fora; uma pode ser retirada, a outra não.
Essa distinção não se faz a olho no canteiro. Ela se apoia no projeto ou, na falta dele, em uma avaliação estrutural. Se um elemento estrutural precisar ser retirado, a forma de transferir as cargas tem de estar resolvida antes da retirada.
A escolha do implemento vem depois e, na verdade, é simples: nos elementos não estruturais, as opções são amplas; nas regiões vizinhas aos elementos estruturais, os implementos de impacto ficam descartados desde o início.
Nada se quebra sem antes ser cortado
Essa é a única regra da remoção na reforma. Se o limite da área a ser retirada for cortado primeiro, a quebra feita no interior não consegue avançar para a estrutura que permanece; a trinca para na linha de corte.
Em uma remoção iniciada sem o corte do limite, quem decide onde a trinca vai parar é o próprio plano de fratura do material, e esse plano raramente coincide com o limite que você queria. Uma trinca na parede que permanece gera um reparo mais caro do que a própria remoção.
O corte é feito com serra de parede ou fio diamantado; a escolha depende da espessura e do acesso. O rompedor não consegue fazer esse trabalho, e a tesoura para concreto também não corta o limite: ela esmaga o concreto e corta a armadura. O papel dela é retirar o interior sem impacto depois que o limite foi cortado.
Ao abrir uma laje, o andar de baixo também faz parte do canteiro
Na reforma, abrir e ampliar furos em lajes é um trabalho comum, e o lado mais esquecido é o andar de baixo. A peça cortada cai; embaixo pode haver pessoas, equipamentos ou uma superfície sensível. Nos trabalhos em laje, o perímetro de segurança é montado não só no andar em que se trabalha, mas também no andar de baixo. Essa é uma medida de segurança que vem antes de qualquer escolha de implemento.
A ordem de remoção
- 1
Retire primeiro o que não é estrutural
Paredes de vedação, revestimentos, forros e instalações podem ser retirados sem tocar na estrutura. Essa etapa libera o acesso e facilita as seguintes.
- 2
Corte o limite da área a ser retirada
Parede, laje ou viga: seja qual for o elemento, o limite é cortado primeiro. A profundidade do corte depende da espessura do elemento.
- 3
Divida a área cortada em pedaços
Em vez de derrubar uma peça grande de uma só vez, dividi-la em pedaços que possam ser movimentados é mais seguro e mais prático. O tamanho dos pedaços depende do método de movimentação e de descida.
- 4
Quebre o interior de forma controlada
Depois que o limite foi cortado, o interior pode ser retirado com rompedor ou pulverizador de concreto. Ao se aproximar da linha de limite, reduz-se o porte do implemento ou troca-se de implemento.
- 5
Corte a armadura de forma planejada
Cortar ou não a armadura restante depende do projeto. Se for preciso cortar, o corte é feito com a tesoura hidráulica; dobrar e arrancar as barras com o rompedor trinca o concreto que permanece e danifica a armadura.
- 6
Confira a superfície de corte e a estrutura que permanece
Quando a remoção termina, verifica-se se há trincas na superfície restante. Qualquer trinca encontrada é avaliada antes de passar para a etapa seguinte.
O que fazer e o que não fazer
O que fazer
- Deixe claro pelo projeto se o elemento a ser retirado é estrutural.
- Corte sempre o limite primeiro; a quebra é o segundo passo.
- Divida as peças grandes em pedaços que possam ser movimentados, em vez de derrubá-las.
- Nos trabalhos em laje, monte o perímetro de segurança também no andar de baixo.
- Se a armadura precisar ser cortada, corte com a tesoura hidráulica; não arranque com o rompedor.
O que não fazer
- Não retire um elemento estrutural antes de resolver a transferência de cargas.
- Não comece a quebrar antes de cortar o limite.
- Não trabalhe com rompedor no limite da estrutura que permanece.
- Não empurre a peça retirada com o rompedor para derrubá-la; isso é carga lateral, e o sentido da queda fica sem controle.
- Não ignore uma trinca vista na superfície restante com o argumento de que "o reboco cobre".
Vibração: o apartamento vizinho também faz parte do canteiro
A reforma costuma ser feita em um edifício ocupado, e os apartamentos vizinhos ficam logo além do limite da obra. Aqui, a vibração vira um problema de convivência antes de ser um problema técnico.
Uma remoção feita com rompedor pode gerar vibração suficiente para derrubar objetos pendurados na parede do apartamento vizinho. Os métodos de corte são bem mais favoráveis nesse aspecto, e, na reforma, essa diferença pesa mais do que a diferença de velocidade.
Tratamos da relação com os vizinhos e da medição de vibração na demolição urbana em um artigo à parte; na reforma vale a mesma lógica, mas a distância é muito menor.
