Resposta curta
Na manutenção do implemento, o limite certo entre as funções não é a frequência, e sim se o trabalho exige FERRAMENTA ou não. Ao operador cabe tudo o que pode ser feito com os olhos e com as mãos, com o implemento ainda montado na máquina: verificação, lubrificação, limpeza, registro de defeitos. À assistência técnica cabe tudo o que exige instrumento de medição, torquímetro ou desmontagem: torque dos tirantes, medição do desgaste das buchas, pressão de nitrogênio, vedação interna. Quando esse limite não está claro, surgem dois erros típicos: o operador decide sem ter a ferramenta para isso, ou a assistência é chamada para qualquer serviço pequeno e o tempo de parada aumenta.
Quem traça o limite é a ferramenta, não o calendário
Os planos de manutenção costumam ser montados como "diário, semanal, mensal", e isso não funciona no canteiro. A carga que o implemento recebe depende do trabalho, não do calendário: uma semana de demolição de concreto e um mês em solo mole não produzem o mesmo desgaste.
Uma divisão mais útil é esta: a verificação pode ser feita com o implemento montado na máquina, com os olhos e com as mãos? Se pode, é trabalho do operador e deve ser frequente. Se exige ferramenta, medição ou desmontagem, é trabalho da assistência técnica e é planejado pelas horas de trabalho.
O ganho prático dessa divisão é deixar a responsabilidade clara. A frase "o tirante afrouxou e ninguém olhou" quase sempre está errada: o operador pode ter visto a tinta trincada, mas não tem torquímetro, e a assistência não foi chamada. O defeito foi visto; só não foi comunicado.
O trabalho do operador
- A ronda antes do turno: suporte, mangueiras, marcas nos tirantes, ponteira, graxa e verificação dos primeiros golpes sobre o material. A ordem está detalhada em um guia próprio.
- Lubrificação durante o trabalho e acompanhamento do cartucho da lubrificação automática.
- Limpeza do corpo e da região em volta das mangueiras: lama e poeira acumuladas escondem vazamentos e retêm calor.
- Registro de defeitos: anotar o que foi visto. Um defeito não anotado vira, dois turnos depois, uma falha de que ninguém se lembra.
- Comunicar qualquer mudança no som ou na vibração. É a verificação que não exige ferramenta e dá o aviso mais cedo.
O trabalho da assistência técnica
- Torque dos tirantes: com torquímetro, na sequência certa e em etapas. Não dá para avaliar a olho.
- Medição do desgaste das buchas: a folga da bucha inferior e da bucha superior é medida com paquímetro ou calibre, e o limite é dado pelo manual.
- Verificação da pressão de nitrogênio e recarga, se necessário: exige um kit de carga com manômetro.
- Vedação interna e superfície do pistão: nenhuma das duas pode ser avaliada sem abrir o corpo.
- Medição de vazão e pressão no circuito hidráulico: se o que a máquina entrega corresponde ao que o rompedor exige.
- O estado das peças internas do corpo, como a placa de desgaste e o anel de encosto.
Por que não damos o intervalo
Aqui não dizemos "a cada tantas horas", porque o intervalo certo muda conforme o modelo, o porte da máquina portadora e as condições do canteiro. Um rompedor trabalhando em rocha abrasiva e o mesmo rompedor em demolição de concreto não seguem o mesmo calendário. Os intervalos do seu modelo estão no manual; se você não o tiver, envie o código do modelo e nós buscamos os valores no registro.
A zona cinzenta: quem chama a assistência?
A maior perda de tempo acontece quando os dois lados fazem o próprio trabalho corretamente, mas nada é passado de um para o outro. O operador vê o defeito e pensa que a assistência virá de qualquer jeito; a assistência chega para a manutenção planejada e, como o defeito não está no registro, ninguém olha.
O que resolve isso não é um sistema complicado, e sim uma única regra: se o mesmo defeito foi anotado duas vezes, chama-se a assistência. Umidade vista uma vez pode ser coincidência; vista pela segunda vez, é tendência.
A segunda regra vem em seguida: o operador não mede, descreve. "O tirante está solto" é uma afirmação de medição e pode estar errada. "Tinta trincada e pó avermelhado em volta da terceira porca" é uma observação, e a assistência traz a ferramenta certa para ela.
O que fazer e o que não fazer
O que fazer
- Vincule o plano de manutenção às horas de trabalho, não ao calendário; sem horímetro, conte pelo menos os turnos.
- Guarde o registro do operador onde a assistência vai de fato vê-lo; um registro que ninguém lê não existe.
- Escreva o defeito como observação: onde e o que se viu. O diagnóstico é trabalho da assistência.
- Se o canteiro tem vários implementos da mesma marca e modelo, planeje a manutenção deles em conjunto; uma única visita da assistência cobre todos.
- Observe o implemento nas primeiras horas depois da manutenção; em um rompedor com peças novas, o amaciamento é um assunto à parte.
O que não fazer
- Não aperte tirantes sem torquímetro. Apertar demais causa tanto dano quanto deixar folgado.
- Não avalie a folga da bucha balançando a ponteira com a mão; folga se conhece medindo.
- Não faça a carga de nitrogênio sem manômetro e nunca use outro gás no lugar do nitrogênio.
- Não adie a manutenção planejada porque o trabalho está apertado; a manutenção adiada cobra o tempo de parada na hora que ela escolher.
- Não desmonte uma peça e a deixe esperando a assistência; um rompedor aberto acumula poeira.
Quem está contando as horas?
O único ponto fraco do esquema acima é de onde se leem as horas de trabalho. O horímetro da máquina portadora conta o tempo em que a máquina funcionou, não o tempo em que o implemento trabalhou. Em um turno de dez horas da escavadeira, o rompedor pode ter trabalhado três.
Essa diferença estraga diretamente o plano de manutenção. Um plano baseado nas horas da máquina portadora manda à manutenção, sem necessidade, um implemento pouco usado e pega tarde demais um implemento muito usado. Se o implemento circula entre máquinas, o erro fica ainda maior.
Por isso o intervalo de manutenção tem de seguir as horas de trabalho do próprio implemento. Quando não há medição no canteiro, o caminho mais prático é o operador anotar, no fim do turno, uma estimativa do tempo de trabalho; é imperfeito, mas melhor do que as horas da máquina portadora.
A solução que a HKM usa
SolidTrack: o plano segue as horas do próprio implemento
A unidade que montamos nos rompedores HKM conta o tempo em que o rompedor realmente trabalhou, de forma independente da máquina portadora, e configura os lembretes de manutenção com base nessas horas. A equipe de assistência planeja qual implemento entra em manutenção e quando a partir de um registro, e não de uma estimativa.
SolidTrack para equipes de assistência e manutenção(solidtrack.io)